sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Programa de Inclusão Digital do Governo do Estado de São Paulo
Instituído em julho de 2000, o Programa Acessa São Paulo oferece para a população do Estado o acesso às novas tecnologias da informação e comunicação (TIC's), em especial à internet, contribuindo para o desenvolvimento social, cultural, intelectual e econômico dos cidadãos paulistas.
Para atingir seus objetivos, o Programa Acessa São Paulo abre e mantém espaços públicos com computadores para acesso gratuito e livre à internet.
Os Postos AcessaSP
Para melhor atender a população e atingir os objetivos de inclusão digital, o Programa Acessa São Paulo possui 2 tipos distintos de Posto, cada um com características especiais.
. Municipais
Implantados em parceria com prefeituras paulistas, geralmente localizados nas bibliotecas municipais.
. Postos Públicos de Acesso à Internet (POPAIs)
Implantados em parceria com secretarias e órgãos do Governo do Estado, como os postos do Poupatempo, os restaurantes do Bom Prato, terminais de ônibus da EMTU, estações de trens da CPTM e do Metrô, Secretarias de Estado, Centros de Integração da Cidadania (CICs), etc.
Atividades integradas
Além da abertura e manutenção dos espaços públicos de acesso à internet, o Acessa São Paulo também desenvolve atividades importantes para a inclusão digital como:
• Fomento a projetos comunitários com uso de tecnologia da informação: Rede de Projetos
• Produção de conteúdo digital e não-digital para a capacitação e informação da população atendida: Cadernos Eletrônicos AcessaSP e MiniCursos AcessaSP
• Divulgação e facilitação do uso de serviços de governo eletrônico: Links úteis
• Promoção de ações presenciais e virtuais que possam contribuir para o uso cidadão da internet e das novas tecnologias: Programa de formação continuada
• Produção de pesquisas e informações sobre inclusão digital: Ponline e Conexões científicas.
O AcessaSP conta com a parceria e o expertise do LIDEC - Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária da Escola do Futuro da USP - co-responsável por diversas das atividades desenvolvidas pelo programa.
Números do programa
Para se ter a dimensão do Programa AcessaSP, veja algumas importantes conquistas:
• 8 anos de existência
• 34,51 milhões de atendimentos
• 1,52 milhão de usuários cadastrados
• 423 postos AcessaSP em funcionamento
• 87 postos em implantação
• 858 monitores
• 448 municípios atendidos
Fonte:http://www.acessasp.sp.gov.br/html/modules/xt_conteudo/index.php?id=1
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Sistema livre criado em SC 'imita' Windows e faz sucesso

Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis
Um sistema operacional livre produzido numa pequena cidade de Santa Catarina vem fazendo sucesso entre os internautas. O BRLIX já conta com cerca de 13 milhões de downloads em todo o mundo, menos de um mês depois de seu lançamento.
Criado por professores e alunos da Faculdade Metropolitana de Guaramirim (FAMEG), município de 30 mil habitantes localizado a cerca de 170 quilômetros de Florianópolis, o BRLIX GNU/Linux é a chamada "seqüência" de um projeto de pesquisa chamado FAMELIX, que já contou com 26 milhões de downloads em cinco idiomas.
O novo projeto, desenvolvido pela mesma equipe, conta com uma interface e recursos muito semelhantes ao Windows Vista. E nasceu com o objetivo de auxiliar no combate à pirataria e na inclusão digital de comunidades, segundo o professor David Emmerich Jourdain, alemão radicado no Brasil e um dos criadores do sistema.
"Vivemos diante de uma geração Windows. Muitas pessoas não conseguiram se familiar ao Linux devido aos seus comandos serem muito distintos", afirma. "Com o nosso software, utilizamos interfaces muito semelhantes, para que o usuário possa optar por softwares livres de forma natural".
O painel de controle e suas principais funções, o acesso às pastas e arquivos do computador e até a apresentação são realmente quase idênticos ao software da Microsoft. "Não competimos com o Windows, conhecido por 90% dos usuários de todo o mundo. Nos adaptamos para criar uma plataforma livre e convencer o usuário", diz o professor. "A diferença é que o BRLIX é de graça".
Segundo David, o software brasileiro apresenta alternativas que facilitam o aprendizado, além de permitir que usuários que já conhecem o Vista ou o XP não se sintam "perdidos" no novo sistema operacional. "Além de atender as necessidades da maioria dos usuários, o BRLIX pode reduzir sensivelmente os custos de iniciativas de inclusão digital, por exemplo, evitando o alto investimento em softwares proprietários", acrescenta.
Emmerich e os alunos criaram uma empresa, a Epidemus, para gerenciar a demanda do produto no mercado e continuar as pesquisas dentro da universidade. Eles já receberam boas notícias: redes de lojas como as Casas Bahia, no estado do Ceará, começaram a instalar o sistema nos notebooks vendidos na região. Contatos com fabricantes de computadores e celulares também estão sendo realizados, revela o professor, que se denomina anti-Windows por "ideologia".
O BRLIX chegou a derrubar um servidor da Universidade de São Paulo diante de quantidade de downloads de usuários. "Conseguimos que o governo de Santa Catarina nos cedesse um servidor para que os usuários baixem o sistema", explica.
"Não víamos muito sentido num projeto desenvolvido em nosso Estado estar disponível para download somente em servidores da USP", diz Paulo Luna, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da secretaria de Desenvolvimento Sustentável do estado catarinense. "Como temos grande interesse na área tecnológica, passamos a apoiar o projeto".
O BRLIX, que tem como símbolo uma arara azul, está disponível para dowload no site www.brlix.com.
A semelhança no nome com Asterix, o fanfarrão herói dos quadrinhos, não é mera coincidência. "Somos como os gauleses que arrumavam encrencas com todos os grandes impérios", brinca Emmerich.
Em lan house, uma hora de leitura vale uma hora de internet
Projeto, que funciona no Ceará, foi finalista de prêmio de leitura.
Idéia é incentivo para que crianças e jovens tenham contato com livros.
Fernanda Calgaro Do G1, em São Paulo
Monitora auxiliar crianças a usarem o computador (Foto: Divulgação)
A criança ou o jovem quer ficar uma hora na internet? Tudo bem. Basta ler um livro antes por uma hora, ali mesmo, na Bila - Biblioteca com lan house, que funciona na comunidade de Pirambu, bairro de Fortaleza (CE).
"A idéia é incentivar a leitura. Para usar o computador, não há taxa. A pessoa só precisa ler um livro pelo tempo correspondente ao que ela quer passar na frente do computador", afirma Mauro Oliveira, professor do Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará (Cefet-CE) e idealizador do projeto Pirambu Digital , que deu origem à Bila.
"E a pessoa não tem nem como fingir que fez a leitura, porque, ao final, ela precisa entregar um resumo do que leu para o monitor da biblioteca", conta Oliveira. A iniciativa chamou a atenção fora do Ceará. A Bila foi um dos 15 projetos finalistas do Prêmio Vivaleitura 2008, iniciativa do Ministério da Educação, do Ministério da Educação e da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). A premiação ocorreu em São Paulo há duas semanas.
Segundo Oliveira, o Pirambu Digital é uma cooperativa formada em 2003 por ex-alunos do Cefet que moram na região. Hoje, eles trabalham com tecnologia de ponta e se preparam para expandir as suas atividades: em breve, terá início a Pirambu Wireless. "O interessante é que esses jovens se mantiveram no bairro, que virou um verdadeiro Vale do Silício em Fortaleza", empolga-se Oliveira.
A Bila é mantida pela Pirambu Digital. Cerca de 50 usuários são atendidos por dia. E "filiais" da Bila foram abertas em outros bairros da capital cearense. "É algo que pode ser reproduzido em diversos locais. Propus até que fosse uma política pública no Ceará", diz.
Crianças lêem livros na Bila - Biblioteca com lan house, em Fortaleza (Foto: Divulgação)
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL875797-5604,00-EM+LAN+HOUSE+UMA+HORA+DE+LEITURA+VALE+UMA+HORA+DE+INTERNET.htmlterça-feira, 25 de novembro de 2008
por Leandro J. M. Cardoso
Em seu artigo “Exclusão Digital: Algumas Reflexões”, o Profº Dr. João Pedro Albino, tem o intuito de “apresentar e discutir alguns aspectos da exclusão digital, procurando contextualizá-la no Brasil e apresentar seus aspectos mais importantes”.
“Atualmente vivemos no mundo da Sociedade da Informação, cuja principal conseqüência é a explosão informacional, caracterizada, sobretudo pela aceleração dos processos de produção e de difusão massiva de informação e do conhecimento. [...] Culturas e identidades coletivas são uma conseqüência dessa nova era”. É de se pensar, de acordo com o autor, que a sociedade como um todo passa por um processo de padronização de culturas e costumes.
O autor, citando Marcos Araújo, aponta para o fato de serem alguns cientistas entusiastas do uso cada vez mais intenso das novas tecnologias de informação. Entre eles, o sociólogo Manuels Castel, que defende o lado positivo do papel das novas tecnologias de informação na geração do conhecimento as quais beneficiam, sobretudo, a área da educação, ampliando “a capacidade das pessoas de progredir em seus conhecimentos, criar riqueza e utilizá-la mais sabiamente que as gerações anteriores”; e, o filósofo Pierre Levy, que “ressalta a interação entre as novas tecnologias da informação e a educação e constata o papel das novas tecnologias intelectuais [...] que acabam por aumentar o potencial de inteligência coletiva humana”.
Poderíamos assim, neste contexto, concluir que a nova economia da informação viria ao mundo “como um novo modo de evitar a exclusão social e para dar oportunidades aos menos favorecidos, uma vez que, pelo uso dos computadores e da internet, todos poderiam ter direito ao livre acesso à informação”. Porém, nos esclarece Albino, dados de pesquisas recentes realizadas por instituições de pesquisa, como o Ipsos Public Affairs e o IBGE revelam uma outra face da realidade brasileira apontando para a “gravidade da exclusão digital no Brasil”.
A exclusão digital, prossegue o autor, é um conceito dos campos teóricos das ciências humanas “que diz respeito às extensas camadas das sociedades que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da informação e da expansão das redes digitais”.
O grande equívoco do mito da inclusão digital reside no fato (de acordo com o Araújo citado por Albino), das atenções estarem centradas em indicadores quantitativos e materiais como número de equipamentos disponíveis ao público, “ampliação das redes de cabeamentos, aumento da velocidade de transmissão, desenvolvimento de inteligências artificiais, comercialização de equipamentos e serviços. Quando o tema da exclusão digital é considerado, muitos desses defensores continuam presos ao conceito material do problema”.
Prossegue o autor, afirmando em concordância com Ferrari, que o fenômeno da exclusão digital é protegido por uma “muralha digital que procura convencer as pessoas que a inclusão está ali”. Há de se pertencer então, “aos interessados no autêntico processo de inclusão”, a tarefa de “reclassificar os personagens e paisagens desta história. Há que se reconhecer cidadãos além de consumidores e assim buscar a superação do bloqueio” imposto por essa muralha.
Têm-se a impressão de que a informação está mais acessível ao grande público tornando os cidadãos mais independentes. Mas o que vemos, na realidade, é que os chamados “bens informacionais” não são realmente de domínio público como muitos defensores das tecnologias de informação acreditam – estão encobertos por uma muralha.
Assim, deixam de serem avaliadas as questões mais substanciais como a questão do analfabetismo, presente em grande parcela das populações dos países ditos em desenvolvimento, entre eles o Brasil, impedindo através dessa grave deficiência social, o acesso às informações disponibilizas pelos atuais recursos tecnológicos de informação e de geração de conhecimento. Problemas como este, muito em voga nos países em desenvolvimento, não podem ser resolvidos apenas pela tecnologia, pois dependem de posicionamentos e atitudes políticas que cercam a tecnologia e lhe dão conteúdo.
Como exemplo de atitude político-social eficaz, Albino, através das palavras de Ferrari, cita a primorosa característica institucional do CDI – Comitê para a Democratização da Informática. “O CDI é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que tem como missão institucional promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção da cidadania e, portanto suprir a carência de políticas públicas mais sérias para a inclusão digital” – e para isso também contou com o apoio técnico da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o apoio financeiro de diversas empresas.
O Brasil tem milhões de pessoas incapazes de ler e escrever. Imagine-se o quanto assustadoramente numeroso seria descobrir a quantidade de brasileiros considerados analfabetos digitais! Em nível de exemplo, basta-se estar presente em uma agência bancária, quando do pagamento dos benefícios sociais aos segurados da Previdência Social, para tornar-se evidente, aos nossos olhos, do grande número de analfabetos e destituídos digitais, despreparados e sem mínimas condições para viver e interagir com as máquinas – neste caso, daquelas denominadas de “terminais de auto-atendimento”.
De acordo com pesquisas realizadas pelo IBGE (2006), “apenas 10 a 11% da população tem contato com computadores e internet. Cerca de 89% dos brasileiros são excluídos digitais”.
Assim, esse pós-moderno fenômeno social – o qual recebe a denominação de exclusão digital – “aflige a população devido à má distribuição de renda e deficiência da educação pública, deixando a população carente marginalizada tecnologicamente, [...] gerando uma competição por empregos de forma desigual [...]. Além disso, por não ter acesso às informações e serviços, o excluído digitalmente não tem como exercer plenamente a sua cidadania, o que consequentemente pode ocasionar e acelerar sua baixa estima”.
“O que se precisa então” para tentar minimizar a fenômeno da exclusão digital no Brasil, conclui o Prof. Dr. João Pedro Albino, “são iniciativas como as do CDI e FGV que promovam a inclusão digital”. Enfim, na visão do autor são necessárias “algumas atitudes proativas e de continuidade, tais como: a redução do custo do equipamento, práticas educacionais que estimulem o uso dos recursos de informática por meio de redes de acesso ao público, dentre outros”.
Inclusão digital é tema de evento gratuito
Nos dias 27 e 28 de novembro, o CPqD, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, realiza o "Encontro Regional de Inclusão Digital". O evento gratuito será dividido em quatro painéis nos quais serão debatidos os múltiplos aspectos que influenciam a efetiva inclusão digital da população brasileira. Voltado para especialistas nacionais representantes de universidades, instituições de pesquisa, órgão públicos, entidades do terceiro setor e imprensa, o encontro acontece no Pólis de Tecnologia de Campinas. O primeiro painel abordará questões gerais da exclusão digital, com foco em aspectos como ações de universalização do acesso, educação e soluções para a inclusão.
O painel seguinte discutirá as principais barreiras à inclusão digital, enfatizando a acessibilidade dos serviços de governo eletrônico e a inclusão de pessoas com deficiência. O terceiro tema será voltado para ações de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e iniciativas de inclusão. Por último serão discutidos novos paradigmas para a inclusão dos indivíduos na sociedade da informação, como cidades digitais e comunidades virtuais. "Nos últimos anos, diversos eventos de Inclusão Digital têm acontecido no Brasil, mas geralmente com foco em aspectos específicos do problema, como acesso às tecnologias, estudos de caso de iniciativas e discussão de políticas públicas. Neste evento queremos ampliar esse foco, discutindo o tema por meio de uma abordagem interdisciplinar", afirma Giovanni Moura de Holanda, gerente de planejamento de soluções da diretoria de TV Digital do CPqD.
Encontro Regional de Inclusão Digital
Data: 27 e 28 de novembro
Local: Auditório do CPqD
Endereço: Rod. Campinas / Mogi Mirim, km 118,5 - Campinas - SP
Inscrições: www.cpqd.com.br
Governo vai incentivar os telecentros comunitários do país
11/11/2008
O secretário adjunto de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rodrigo Assumpção, anunciou que o Governo Federal vai apoiar o fortalecimento da política de inclusão digital do país através de ações que garantam a sustentabilidade dos telecentros comunitários.
O anúncio foi feito em Belém durante a plenária de encerramento da 7ª Oficina para Inclusão Digital e é resultado de uma ação articulada de diversas área do Governo Federal, coordenada pelo Palácio do Planalto.
Essas medidas incluem o reforço na conectividade com uma banda larga mais adequada, a disponibilização de cerca de quatro mil equipamentos para telecentros novos e já existentes e o oferecimento de aproximadamente oito mil bolsas para monitores que atuam nestes centros comunitários de inclusão digital. A iniciativa implementará também uma rede de formação qualificada a distância e presencial para os monitores que trabalham no atendimento direto às comunidades. Os projetos de inclusão digital só receberão estes incentivos se estiverem cadastrados no Observatório Nacional de Inclusão Digital – www.onid.org.br.
Para Rodrigo Assumpção, esta ação visa reforçar o grande potencial dos telecentros e as redes de projetos de inclusão digital do Governo Federal já existentes. Essas medidas visam enfrentar alguns dos problemas da sustentabilidade dos centros comunitários de inclusão digital e garantir os direitos das cidadãs e dos cidadãos brasileiros ao acesso as novas tecnologias de comunicação e informação, complementou o secretário adjunto de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.
Público Recorde
A 7ª Oficina para Inclusão Digital teve um número recorde de inscritos com 3.514 pessoas e 2.318 credenciados. Foi a maior Oficina já realizada até hoje em número de palestrantes, moderadores, debatedores e oficineiros que contou com participação de representantes de todos os Estados do país.
O Estado do Pará esteve representado com o maior número de pessoas, 1904 gestores de telecentros, estudantes e professores que em sua maioria nunca havia participado do maior evento de inclusão digital do país.
Cerca de 500 participantes tantos dos programas federais quanto de projetos de organização do terceiro setor puderam participar do evento com algum tipo de incentivo da organização como transporte, acomodação e alimentação.
Os diversos programas de inclusão digital do Governo Federal como GESAC, PROINFO/ Laboratórios de Informática do Ministério da Educação, telecentros do Banco do Brasil, as estações digitais da Fundação Banco do Brasil, Serpro Cidadão, Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva do Ministério da Educação, Centros de Inclusão Digital do Ministério da Ciência e Tecnologia, Computadores para Inclusão do Ministério do Planejamento, Casa Brasil, Kits Telecentros do Ministério das Comunicações, TINs – Telecentros de Informação e Negócios do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, telecentros do Ministério do Desenvolvimento Social, telecentros Petrobrás, Maré/ Telecentros da Pesca do Ministério da Aqüicultura e Pesca, Territórios Digitais do Ministério do Desenvovimento Agrário, Centros Vocacionais Tecnológicos do Ministério da Ciência e Tecnologia, Telecentros ONG Moradia e Cidadania da Caixa e Quiosque Cidadão do Ministério da Integração Nacional estiveram presentes com 1.141 representantes.
A 7ª Oficina para Inclusão Digital foi uma realização da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia – SEDECT e Processamento de Dados - PRODEPA, do Governo do Pará e conta com o patrocínio da Dataprev, Banco do Brasil, Petrobras, ABDI, Fundação Banco do Brasil, Serpro, Celpa, Caixa Econômica, RADIOCOMM, Minascontrol e Sinetel. Ainda, a organização da Oficina conta com a participação do Comitê Técnico de Inclusão Digital do Governo Federal, e das seguintes entidades da sociedade civil: Sampa.org, RITS – Rede de Informações para o Terceiro Setor, Cidadania Digital, Coletivo Digital e Projeto Saúde & Alegria.
Em seu artigo “Exclusão Digital: Algumas Reflexões”, o Profº Dr. João Pedro Albino, tem o intuito de “apresentar e discutir alguns aspectos da exclusão digital, procurando contextualizá-la no Brasil e apresentar seus aspectos mais importantes”.
“Atualmente vivemos no mundo da Sociedade da Informação, cuja principal conseqüência é a explosão informacional, caracterizada, sobretudo pela aceleração dos processos de produção e de difusão massiva de informação e do conhecimento. [...] Culturas e identidades coletivas são uma conseqüência dessa nova era”. É de se pensar, de acordo com o autor, que a sociedade como um todo passa por um processo de padronização de culturas e costumes.
O autor, citando Marcos Araújo, aponta para o fato de serem alguns cientistas entusiastas do uso cada vez mais intenso das novas tecnologias de informação. Entre eles, o sociólogo Manuels Castel, que defende o lado positivo do papel das novas tecnologias de informação na geração do conhecimento as quais beneficiam, sobretudo, a área da educação, ampliando “a capacidade das pessoas de progredir em seus conhecimentos, criar riqueza e utilizá-la mais sabiamente que as gerações anteriores”; e, o filósofo Pierre Levy, que “ressalta a interação entre as novas tecnologias da informação e a educação e constata o papel das novas tecnologias intelectuais [...] que acabam por aumentar o potencial de inteligência coletiva humana”.
Poderíamos assim, neste contexto, concluir que a nova economia da informação viria ao mundo “como um novo modo de evitar a exclusão social e para dar oportunidades aos menos favorecidos, uma vez que, pelo uso dos computadores e da internet, todos poderiam ter direito ao livre acesso à informação”. Porém, nos esclarece Albino, dados de pesquisas recentes realizadas por instituições de pesquisa, como o Ipsos Public Affairs e o IBGE revelam uma outra face da realidade brasileira apontando para a “gravidade da exclusão digital no Brasil”.
A exclusão digital, prossegue o autor, é um conceito dos campos teóricos das ciências humanas “que diz respeito às extensas camadas das sociedades que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da informação e da expansão das redes digitais”.
O grande equívoco do mito da inclusão digital reside no fato (de acordo com o Araújo citado por Albino), das atenções estarem centradas em indicadores quantitativos e materiais como número de equipamentos disponíveis ao público, “ampliação das redes de cabeamentos, aumento da velocidade de transmissão, desenvolvimento de inteligências artificiais, comercialização de equipamentos e serviços. Quando o tema da exclusão digital é considerado, muitos desses defensores continuam presos ao conceito material do problema”.
Prossegue o autor, afirmando em concordância com Ferrari, que o fenômeno da exclusão digital é protegido por uma “muralha digital que procura convencer as pessoas que a inclusão está ali”. Há de se pertencer então, “aos interessados no autêntico processo de inclusão”, a tarefa de “reclassificar os personagens e paisagens desta história. Há que se reconhecer cidadãos além de consumidores e assim buscar a superação do bloqueio” imposto por essa muralha.
Têm-se a impressão de que a informação está mais acessível ao grande público tornando os cidadãos mais independentes. Mas o que vemos, na realidade, é que os chamados “bens informacionais” não são realmente de domínio público como muitos defensores das tecnologias de informação acreditam – estão encobertos por uma muralha.
Assim, deixam de serem avaliadas as questões mais substanciais como a questão do analfabetismo, presente em grande parcela das populações dos países ditos em desenvolvimento, entre eles o Brasil, impedindo através dessa grave deficiência social, o acesso às informações disponibilizas pelos atuais recursos tecnológicos de informação e de geração de conhecimento. Problemas como este, muito em voga nos países em desenvolvimento, não podem ser resolvidos apenas pela tecnologia, pois dependem de posicionamentos e atitudes políticas que cercam a tecnologia e lhe dão conteúdo.
Como exemplo de atitude político-social eficaz, Albino, através das palavras de Ferrari, cita a primorosa característica institucional do CDI – Comitê para a Democratização da Informática. “O CDI é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que tem como missão institucional promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção da cidadania e, portanto suprir a carência de políticas públicas mais sérias para a inclusão digital” – e para isso também contou com o apoio técnico da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o apoio financeiro de diversas empresas.
O Brasil tem milhões de pessoas incapazes de ler e escrever. Imagine-se o quanto assustadoramente numeroso seria descobrir a quantidade de brasileiros considerados analfabetos digitais! Em nível de exemplo, basta-se estar presente em uma agência bancária, quando do pagamento dos benefícios sociais aos segurados da Previdência Social, para tornar-se evidente, aos nossos olhos, do grande número de analfabetos e destituídos digitais, despreparados e sem mínimas condições para viver e interagir com as máquinas – neste caso, daquelas denominadas de “terminais de auto-atendimento”.
De acordo com pesquisas realizadas pelo IBGE (2006), “apenas 10 a 11% da população tem contato com computadores e internet. Cerca de 89% dos brasileiros são excluídos digitais”.
Assim, esse pós-moderno fenômeno social – o qual recebe a denominação de exclusão digital – “aflige a população devido à má distribuição de renda e deficiência da educação pública, deixando a população carente marginalizada tecnologicamente, [...] gerando uma competição por empregos de forma desigual [...]. Além disso, por não ter acesso às informações e serviços, o excluído digitalmente não tem como exercer plenamente a sua cidadania, o que consequentemente pode ocasionar e acelerar sua baixa estima”.
“O que se precisa então” para tentar minimizar a fenômeno da exclusão digital no Brasil, conclui o Prof. Dr. João Pedro Albino, “são iniciativas como as do CDI e FGV que promovam a inclusão digital”. Enfim, na visão do autor são necessárias “algumas atitudes proativas e de continuidade, tais como: a redução do custo do equipamento, práticas educacionais que estimulem o uso dos recursos de informática por meio de redes de acesso ao público, dentre outros”.