terça-feira, 25 de novembro de 2008

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Resenha do artigo Exclusão Digital: Algumas Reflexões*
por Leandro J. M. Cardoso

Em seu artigo “Exclusão Digital: Algumas Reflexões”, o Profº Dr. João Pedro Albino, tem o intuito de “apresentar e discutir alguns aspectos da exclusão digital, procurando contextualizá-la no Brasil e apresentar seus aspectos mais importantes”.
“Atualmente vivemos no mundo da Sociedade da Informação, cuja principal conseqüência é a explosão informacional, caracterizada, sobretudo pela aceleração dos processos de produção e de difusão massiva de informação e do conhecimento. [...] Culturas e identidades coletivas são uma conseqüência dessa nova era”. É de se pensar, de acordo com o autor, que a sociedade como um todo passa por um processo de padronização de culturas e costumes.
O autor, citando Marcos Araújo, aponta para o fato de serem alguns cientistas entusiastas do uso cada vez mais intenso das novas tecnologias de informação. Entre eles, o sociólogo Manuels Castel, que defende o lado positivo do papel das novas tecnologias de informação na geração do conhecimento as quais beneficiam, sobretudo, a área da educação, ampliando “a capacidade das pessoas de progredir em seus conhecimentos, criar riqueza e utilizá-la mais sabiamente que as gerações anteriores”; e, o filósofo Pierre Levy, que “ressalta a interação entre as novas tecnologias da informação e a educação e constata o papel das novas tecnologias intelectuais [...] que acabam por aumentar o potencial de inteligência coletiva humana”.
Poderíamos assim, neste contexto, concluir que a nova economia da informação viria ao mundo “como um novo modo de evitar a exclusão social e para dar oportunidades aos menos favorecidos, uma vez que, pelo uso dos computadores e da internet, todos poderiam ter direito ao livre acesso à informação”. Porém, nos esclarece Albino, dados de pesquisas recentes realizadas por instituições de pesquisa, como o Ipsos Public Affairs e o IBGE revelam uma outra face da realidade brasileira apontando para a “gravidade da exclusão digital no Brasil”.
A exclusão digital, prossegue o autor, é um conceito dos campos teóricos das ciências humanas “que diz respeito às extensas camadas das sociedades que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da informação e da expansão das redes digitais”.
O grande equívoco do mito da inclusão digital reside no fato (de acordo com o Araújo citado por Albino), das atenções estarem centradas em indicadores quantitativos e materiais como número de equipamentos disponíveis ao público, “ampliação das redes de cabeamentos, aumento da velocidade de transmissão, desenvolvimento de inteligências artificiais, comercialização de equipamentos e serviços. Quando o tema da exclusão digital é considerado, muitos desses defensores continuam presos ao conceito material do problema”.
Prossegue o autor, afirmando em concordância com Ferrari, que o fenômeno da exclusão digital é protegido por uma “muralha digital que procura convencer as pessoas que a inclusão está ali”. Há de se pertencer então, “aos interessados no autêntico processo de inclusão”, a tarefa de “reclassificar os personagens e paisagens desta história. Há que se reconhecer cidadãos além de consumidores e assim buscar a superação do bloqueio” imposto por essa muralha.
Têm-se a impressão de que a informação está mais acessível ao grande público tornando os cidadãos mais independentes. Mas o que vemos, na realidade, é que os chamados “bens informacionais” não são realmente de domínio público como muitos defensores das tecnologias de informação acreditam – estão encobertos por uma muralha.
Assim, deixam de serem avaliadas as questões mais substanciais como a questão do analfabetismo, presente em grande parcela das populações dos países ditos em desenvolvimento, entre eles o Brasil, impedindo através dessa grave deficiência social, o acesso às informações disponibilizas pelos atuais recursos tecnológicos de informação e de geração de conhecimento. Problemas como este, muito em voga nos países em desenvolvimento, não podem ser resolvidos apenas pela tecnologia, pois dependem de posicionamentos e atitudes políticas que cercam a tecnologia e lhe dão conteúdo.
Como exemplo de atitude político-social eficaz, Albino, através das palavras de Ferrari, cita a primorosa característica institucional do CDI – Comitê para a Democratização da Informática. “O CDI é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que tem como missão institucional promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção da cidadania e, portanto suprir a carência de políticas públicas mais sérias para a inclusão digital” – e para isso também contou com o apoio técnico da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o apoio financeiro de diversas empresas.
O Brasil tem milhões de pessoas incapazes de ler e escrever. Imagine-se o quanto assustadoramente numeroso seria descobrir a quantidade de brasileiros considerados analfabetos digitais! Em nível de exemplo, basta-se estar presente em uma agência bancária, quando do pagamento dos benefícios sociais aos segurados da Previdência Social, para tornar-se evidente, aos nossos olhos, do grande número de analfabetos e destituídos digitais, despreparados e sem mínimas condições para viver e interagir com as máquinas – neste caso, daquelas denominadas de “terminais de auto-atendimento”.
De acordo com pesquisas realizadas pelo IBGE (2006), “apenas 10 a 11% da população tem contato com computadores e internet. Cerca de 89% dos brasileiros são excluídos digitais”.
Assim, esse pós-moderno fenômeno social – o qual recebe a denominação de exclusão digital – “aflige a população devido à má distribuição de renda e deficiência da educação pública, deixando a população carente marginalizada tecnologicamente, [...] gerando uma competição por empregos de forma desigual [...]. Além disso, por não ter acesso às informações e serviços, o excluído digitalmente não tem como exercer plenamente a sua cidadania, o que consequentemente pode ocasionar e acelerar sua baixa estima”.
“O que se precisa então” para tentar minimizar a fenômeno da exclusão digital no Brasil, conclui o Prof. Dr. João Pedro Albino, “são iniciativas como as do CDI e FGV que promovam a inclusão digital”. Enfim, na visão do autor são necessárias “algumas atitudes proativas e de continuidade, tais como: a redução do custo do equipamento, práticas educacionais que estimulem o uso dos recursos de informática por meio de redes de acesso ao público, dentre outros”.

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